Fiat Grande Punto 1.3 Multijet
A Desforra

NÃO SEI BEM o que realçar no novo Punto; melhor dizendo no Grande Punto… O nome encerra em parte a chave. Grande, por que de facto é maior. Mas também mais moderno, mais bonito, mais apelativo. Também mais confortável… naturalmente mais eficaz no binómio conforto/desempenho… interiormente, muito funcional, com boa posição de condução e uma ergonomia de comandos excelente… no entanto… no entanto, se tivesse que realçar uma das características que mais se evidencia e que acaba por ser decisiva para a boa impressão, mencionaria a insonorização.
AUTO-ESTRADA. Noite. Rádio desligado. Silêncio. Silêncio no interior, quer dos habituais ruídos provenientes do motor, quer dos provocados pelo rolamento. Boa postura nos bancos, volante e pedais correctamente colocados. Apetece conduzir. E, com isso, esquecemos que estamos num modelo essencialmente utilitário, crescendo a impressão de se tratar de um modelo de gama superior. E, nisso, o Punto é Grande. O interior é agradável visualmente, no entanto, os plásticos que o revestem — ainda que isentos de ruídos parasitas o que evidencia o cuidado na sua montagem e fixação —, não desmentem. Ao toque, o som é demasiado plástico.
DA ERGONOMIA, refira-se, para além da boa posição de condução e da compleição dos bancos, a existência de vários espaços para pequenos objectos... que têm efectivamente de ser pequenos!

O GRANDE PUNTO tem uma responsabilidade acrescida: não apenas devolver à Fiat os pergaminhos da marca neste segmento, como, em simultâneo, permitir que o construtor dê um pontapé na crise que o assola com o decréscimo das vendas, nomeadamente em modelos que representam importantes volumes de vendas. Daí que tenha apostado num dos factores que contribuem para a diferença e principal motivo de apelo aos potenciais consumidores: a estética. Um objectivo plenamente alcançado: da mão do centro de estudos estilísticos «Ital-design-Giugiaro», quem mais (?), saiu um modelo com uma frente que, desde logo, estabelece um apelo desportivo, dinâmico e tremendamente sedutor. Muito italiano, a lembrar até os super-desportivos Maserati… Aposta ganha, até porque o resto do conjunto mantém o equilíbrio do estilo e das proporções.
JÁ SE REFERIU o seu bom desempenho em matéria de insonorização e se realçou o conforto. Há de facto um apurado cuidado nesta área e pode afirmar-se que a suspensão cumpre plenamente a sua função, oferecendo previsibilidade das reacções e a necessária estabilidade em velocidades mais elevadas. Coube ensaiarmos uma das versões mais apelativas ao mercado português, a equipada com o conhecido motor diesel 1.3, na sua versão ainda mais acessível de 75 cv. O que dele se pode extrair são, sobretudo, bons consumos, na ordem dos 5 litros de média. Trata-se de um motor que só «respira» bem acima das 2000 rpm, ainda que, numa condução mais descontraída, seja possível mantê-lo, sem esforço, entre as 1500 e as 2000 num uso mais urbano. Refira-se ainda que, em cidade, mantêm-se o auxílio da direcção assistida eléctrica, que a torna ainda mais «leve» em velocidades até os 80 km/h.
Contudo, para maior dinamismo, o ideal será mantê-lo acima desse valor e, pena é, que a caixa não seja mais colaborante em passagens rápidas. De facto, sobretudo na segunda e na terceira, mostra alguma imprecisão, não sendo nas restantes um exemplo de suavidade. O seu escalonamento demonstra também a vontade de andamentos mais moderados.
— o —
PREÇO, desde 16872 euros (3 portas) MOTOR, 1248 cc, 75 cv às 4000 r.p.m., 190 Nm às 1750 rpm, 16 válvulas, Injecção directa multijet common rail com turbo e intercooler PRESTAÇÕES, 165 km/h CONSUMOS, 4,0/4,7/5,9 l (extra-urbano/combinado/urbano)
— o —
— o —
PRETENDENDO conquistar os potenciais interessados não apenas visualmente como pelo investimento em si, o Grande Punto oferece um lote de equipamento interessante para o preço praticado.

Resultado do modelo nos testes de segurança EuroNcap:
http://www.euroncap.com/images/results/superminis/car_238_2005/Fiat%20Punto%20Datasheet%202.pdf
Post a Comment